[Publicado no blog Beta do site do Globo em 2006]
Geralmente a idéia de desenvolvimento de sistemas para web está associada a aplicações que rodam nos servidores, utilizando java, .net, bancos de dados. Mas parte das inovações ocorridas nos sites está em avanços na utilização das técnicas de programação em javascript, que é processado no browser do internauta.
Desde o início da web a construção de sites é feita basicamente por dois grupos de profissionais: os webdesigners e o pessoal de desenvolvimento de sistemas.
Os webdesigners, além da concepção visual, cuidam da codificação do html, que é uma linguagem de marcação processada no browser (o chamado lado "cliente"). Os desenvolvedores utilizam linguagens de programação processadas nos servidores, como asp, php, java, etc. (o chamado lado "servidor").
A programação no lado cliente - muito além da crítica de campos
Mas no lado cliente, no browser, também existe a utilização da linguagem de programação javascript. Os dois profissionais a utilizam. Porém, a maioria dos webdesigners não conhece programação para fazer uso mais amplo dela. E muitos dos desenvolvedores historicamente subestimaram esta linguagem, talvez pelo fato dela não acessar os importantes bancos de dados do lado servidor. Ouvi muitas vezes a opinião de que "javascript é simples, serve para fazer crítica de campos de formulário".
Javascript não é simples. É orientada a objeto e permite manipular todos os objetos de uma página - não apenas os campos de um formulário.
Todo este poder foi inicialmente utilizado para a criação de efeitos visuais (o dhtml - javascript manipulando dinamicamente elementos do html). Mas as terríveis incompatibilidades entre browsers contribuíram para empurrar os efeitos visuais para o Flash (tecnologia proprietária que também roda no cliente, poderosa para animações). Porém, com o passar do tempo as possibilidades da programação no lado "cliente" foram se revelando.
Explorando a técnica para inovar
- Como fazer para publicar um trecho de conteúdo de um site em diversos outros, sem a complexa tarefa de integração entre servidores?
Basta que no servidor de origem o conteúdo seja gerado em javascript. Os demais sites interessados podem codificar suas páginas para carregar este conteúdo diretamente para o browser do internauta. É assim que funciona uma das maiores fontes de receita do Google, o Adsense. Não, não foi o Google quem inventou esta técnica, cito aqui pois dá credibilidade à solução.
- Como fazer um site personalizado sem com isto demandar aumento de capacidade dos servidores?
Basta fazer com que o processamento da escolha de qual conteúdo exibir seja feita por javascript. A escolha pode ser baseada em cookies com as preferências do leitor e somente o conteúdo desejado é carregado do servidor. Parte das possibilidades de personalização de sites pode ser atendida com esta técnica, que tem custo zero em relação à infraestrutura.
- Como melhorar a navegação do internauta, evitando a lentidão das trocas de página?
Basta utilizar a "nova" técnica denominada Ajax, que permite comunicação com o servidor e atualização de parte do conteúdo da página, sem necessidade de substituição completa da mesma. Também não foi o Google quem inventou, mas o seu Gmail.com foi o maior difusor desta técnica.
Para agilizar o desenvolvimento de sites que fazem uso mais intensivo de javascript podem ser utilizadas bibliotecas gratuitas de rotinas (ex.: Dojo, Prototype).
E finalmente, temos hoje complexas aplicações funcionando na web e que são baseadas em javascript. O Writely é uma delas. Um editor de textos gratuito, completo e fácil de usar, que permite edição colaborativa de documentos, e é ótimo para quem tem que escrever ou consultar documentos a partir de vários lugares diferentes. Escrevi a maior parte deste post nele. O Google não tinha nada a ver com o Writely, mas o pessoal de lá gostou tanto que... o compraram.
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